apagão

Conexão Itaberá – Parte I – E no inicio fez-se o apagão

Além de falar sobre negócios, gestão, educação, gosto também de fazer alguns ensaios para rir um pouco, busca diversão e entreter as pessoas, com humor inteligente e satírico. Afinal nos momentos que estamos vivendo, há fatos que poucos se lembram. A atual “presidenta” já foi ministra das Minas e Energia, na época dos inúmeros apagões. Divirta-se também…

Levava a chave à fechadura, quando, de súbito, a visão não mais encontrava  a roseta, por onde a chave entraria.

Tentando entender o que acontecia, olhei para os lados, para a janela e para um orifício, ainda proeminente, na caixa de ar condicionado, que deixaria a luz passar. Mas ali, assim como na janela, havia sumido.

Desisti de trancar a porta e retornei à rua, para certificar-me se era um problema só do prédio, ou se a extensão da falta de luz estava além daquelas paredes. Por um instante imaginei quantas outras pessoas não fazem a mesma coisa num acontecimento desses. Porém meu imaginário não conseguiria quantificar os milhões de habitantes que naquele momento se perguntavam a mesma coisa.

A cidade era Nova Iguaçu, e não demorou mais que vinte minutos para meu celular tocar – que bom que me lembrei em deixá-lo carregado – e de São Paulo era minha mãe, perguntando se também estava sem luz, imaginando que estivesse em minha casa, em Vila Velha. Ela logo me alertou que estavam dizendo se tratar de um apagão.

Sem perder tempo estendi minha busca, liguei para minha casa, e lá estava, minha mulher dormindo sem nada saber, mas, já que estava perguntando, esticou o braço e ao alcançar o interruptor percebeu que a luz acendia, porém muito mais fraca. Tomado pela minha tendência de querer explicar tudo, já fui logo dizendo que, certamente, havia caído uma fase. Puxa, no dia seguinte descobri que estava correto, e que em boa parte do Espírito Santo não houve uma queda total da energia.

Ainda fiz mais duas  ou três ligações, buscando contatos distantes, lá em Timotéo, em Minas Gerais, e ainda, logo ali do lado, para gente no Rio de Janeiro. Parei, tentando entender por que estava fazendo aquilo, já que nenhum efeito produziria para gerar a redução do caos, que provavelmente já estava se instalando em muitos lugares.

O restante da noite foi uma tentativa de dormir, sem o ar condicionado que me daria as condições de ser bem mais agradável. Lá pela meia noite ainda chega meu sócio de consultoria, pois estávamos hospedados no mesmo alojamento de serviço.

Sem ter o que fazer, já que os jogos de games gratuitos, o Orkut e o MSN não seriam acessíveis, tentamos dormir, e por duas ou três vezes repeti o esforço de acionar o interruptor na busca da luz. Ela não vinha!

No dia seguinte com o serviço restabelecido, me pus logo a buscar o noticiário. Imaginei que esse ato estava sendo imitado em todo lugar.

Nossa… quase o país todo estava sem energia; o presidente convocava uma reunião de emergência (mais marketing que tudo, é lógico); os comentaristas especializados (não sei como essas agências de notícia arrumam especialistas tão rápido) já faziam prognósticos das possíveis causas.

Naturalmente teve um outro grupo mais animado, que logo estendeu o campo de explanações para causas dignas de “Arquivo X”: uma provável emanação maciça de radiação solar pode provocar a formação de um gigantesco campo eletromagnético, que paralisa o sistema elétrico. Puxa, essa convencia qualquer ser humano comum, pois astrofísica é coisa de só de “entendido”.

A cabeça fervilhava. Lembrei que uma ministra, que hoje tá em outro lugar, mas era da tal Minas e Energia, havia apresentado dados convincentes sobre o excedente energético brasileiro, e, também sobre a sofisticada rede de distribuição, que dias depois seria intitulada ”uma das mais modernas do mundo”

Bom, agora só faltava mesmo era a informação oficial, ou seja, alguém bem importante, escolhido pelo seu extenso e irrepreensível currículo poderia explicar, com a chancela governamental o que havia acontecido.

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